Site hackeado: sinais e o que fazer primeiro
Desconfie se o site redireciona para páginas estranhas, tem páginas de farmácia ou cassino no Google, mostra aviso de site enganoso ou ganhou um administrador que você não criou. Nas primeiras horas: isole o site, guarde uma cópia, troque senhas e chaves, restaure um backup limpo e feche a brecha.
Como saber se o seu site foi hackeado
Um sinal isolado não prova invasão: lentidão pode ser a hospedagem, e um redirecionamento pode ser um plugin com defeito. Vários sinais juntos, ou qualquer um dos mais graves, pedem ação imediata.
| Sinal | O que pode significar | Como conferir |
|---|---|---|
| O site redireciona para outro endereço, principalmente no celular ou vindo do Google | Código injetado que só aparece para alguns visitantes | Abra o site no celular, com dados móveis, a partir de uma busca do Google |
| Aparecem no Google páginas de farmácia, cassino ou produtos que você nunca criou | Spam injetado no seu domínio | Pesquise site:suaempresa.com.br no Google e leia os títulos |
| O navegador mostra aviso de site enganoso ou perigoso | O Google ou o navegador detectou malware ou golpe | Abra o relatório de problemas de segurança no Search Console |
| Um usuário administrador que você não criou | Conta deixada pelo invasor | Revise a lista de usuários do painel do site |
| Lentidão súbita ou aviso de uso alto de recursos da hospedagem | Malware consumindo processador, enviando spam ou minerando | Veja os gráficos de uso no painel da hospedagem |
| Arquivos desconhecidos ou alterados recentemente | Porta dos fundos (backdoor) deixada no servidor | Compare com um backup antigo |
| Clientes recebem mensagens estranhas em nome da empresa | Domínio ou e-mail usado para spam ou golpe | Veja os avisos de entrega e a caixa de saída |
O relatório de problemas de segurança do Search Console agrupa os casos em "Conteúdo invadido", "Malware e software indesejado" e "Engenharia social" (Ajuda do Search Console). Cadastrar o site no Search Console é a forma mais direta de receber esse alerta.
O que fazer nas primeiras horas
- Não apague nada ainda. Apagar sem entender destrói pistas e pode deixar a brecha aberta.
- Isole o site. Coloque em modo de manutenção ou tire do ar por um tempo. Isso protege os visitantes e impede que o aviso do navegador piore.
- Guarde uma cópia do estado atual (arquivos e banco de dados), fora do servidor. Ela não serve para restaurar: serve para descobrir como o invasor entrou.
- Troque senhas e chaves, a partir de um computador sem problemas: painel da hospedagem, FTP ou SSH, banco de dados, administrador do site, e-mail e chaves de API. Troque também onde a mesma senha era usada.
- Restaure um backup limpo, de antes da invasão. Os registros do servidor ajudam a descobrir quando ela começou.
- Atualize tudo: sistema, plugins, temas e bibliotecas. Remova o que não usa.
- Encontre e feche a brecha: senha fraca, plugin vulnerável, conta esquecida, envio de arquivos sem controle. Sem isso, o invasor volta.
- Confira se está limpo: usuários, tarefas agendadas e arquivos novos. O Google recomenda não abrir páginas infectadas diretamente no navegador, e sim verificar com a ferramenta de inspeção de URL ou com o
cURL. - Peça revisão ao Google, se houver aviso no relatório de problemas de segurança. Só depois de limpar tudo, clicando em "Solicitar revisão" e descrevendo o que foi corrigido.
Sobre o último passo: o Google diz que a análise leva de alguns dias a algumas semanas, e pede para não reenviar o pedido enquanto o anterior está pendente. Pedir cedo demais, com o problema ainda presente, só prolonga o processo (guia "Request a review", do web.dev).
Por que restaurar o backup não basta
Restaurar um backup limpo sem fechar a brecha é como trocar a fechadura e deixar a janela aberta: o invasor entra pelo mesmo caminho. Também é comum o backup mais recente já estar infectado, e o invasor deixar conteúdo no banco de dados, não só nos arquivos. Por isso, a ordem importa: limpar, fechar a brecha, atualizar, trocar credenciais e só então reabrir.
E os dados das pessoas que usam o site?
Se o site guarda dados pessoais (formulário de contato, cadastro, loja, área de clientes) e há chance de que tenham sido acessados, o assunto deixa de ser só técnico. A LGPD e a regulamentação da ANPD tratam de incidentes de segurança com dados pessoais, e o prazo para comunicação, quando ela é exigida, é contado em dias úteis (página da ANPD sobre comunicação de incidente).
Isto é informação geral, não aconselhamento jurídico. Avaliar se há obrigação de comunicar, a quem e em que prazo é um trabalho para a assessoria jurídica da empresa, com as informações técnicas do que aconteceu. Por isso vale registrar o que foi encontrado, quando e o que foi feito.
Como prevenir
- Atualizações em dia de sistema, plugins e temas, de preferência testadas antes em uma cópia.
- Senhas fortes e únicas, com verificação em duas etapas (2FA) em painel, e-mail e administração do site.
- Backup fora do servidor, com restauração testada. Backup que nunca foi restaurado é uma aposta.
- Poucos plugins, de fonte confiável. Cada extensão a mais é uma porta a mais. Remova o que não usa.
- Permissões mínimas: cada pessoa acessa só o que precisa, e quem saiu da equipe perde o acesso.
- HTTPS e cabeçalhos de segurança. Nós aplicamos nos nossos sites a política de segurança de conteúdo (CSP), que diz ao navegador de quais origens a página pode carregar scripts e recursos. Isso reduz o estrago que um código injetado consegue fazer. Veja também o que é certificado SSL.
- Monitoramento e manutenção regulares. A manutenção de site existe para isso.
Não existe site invulnerável. Prevenir reduz a chance e o tamanho do problema, e o backup define quanto tempo você fica fora.
Quando chamar um especialista
Vale pedir ajuda técnica quando:
- o site guarda dados de clientes, pagamentos ou cadastros;
- você não encontra a brecha e o problema volta depois da limpeza;
- o aviso do navegador ou do Google continua mesmo depois de limpar;
- não há backup ou ele também está comprometido;
- o site é parte importante das vendas e cada hora fora do ar custa.
Antes de contratar, confirme de quem são o domínio e a hospedagem: veja domínio e hospedagem de site. O diagnóstico gratuito da Wow mostra o que dá para enxergar de fora sobre segurança, velocidade e o que o Google lê, e a página de criação de sites explica como cuidamos do que publicamos.
Perguntas
Como saber se meu site foi hackeado?
Procure redirecionamentos estranhos, páginas que você não criou aparecendo no Google (pesquise site: com o seu domínio), aviso de site enganoso no navegador, usuários administradores desconhecidos e lentidão súbita. O relatório de problemas de segurança do Search Console também avisa quando o Google detecta algo.
Dá para remover o malware sozinho?
Em sites simples e com backup recente, às vezes sim. O difícil é achar todos os arquivos e acessos deixados e fechar a brecha, porque um resto escondido reinfecta o site. Se o site guarda dados de pessoas ou você não tem certeza do que foi alterado, peça ajuda técnica.
Quanto tempo o Google leva para remover o aviso?
Depende do tipo de problema. O Google informa que a revisão pode levar de alguns dias a algumas semanas, e os casos de spam injetado tendem a demorar mais. Só peça a revisão depois de limpar tudo e não reenvie enquanto houver um pedido pendente.
Site hackeado perde posição no Google?
Pode perder visibilidade, porque páginas de spam e avisos de segurança afetam como o Google e o navegador tratam o site. Não há prazo nem resultado certo para a recuperação: depende da limpeza completa e da revisão.
Antivírus ou plugin de segurança resolvem?
Ajudam a detectar e a bloquear ataques conhecidos, mas não substituem atualizações, senhas fortes, backup e permissões. Funcionam como uma camada, não como a solução completa.
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